A Iniciativa Amazônica, em colaboração com instituições de ensino, pesquisa, extensão, e da sociedade civil em 12 localidades de 7 países amazônicos, com o apoio da UNAMAZ (Associação de Universidades Amazônicas) iniciou um programa que inclui a realização de estudos sócio-econômicos sobre as condições amazônicas de vida e ambiente. O objetivo é analisar comparativamente a utilização e a dependência em relação aos recursos naturais, de comunidades localizadas em áreas onde a cobertura florestal seja significativa. Trata-se da “Rede de Estudos das Condições Amazônicas de Vida e Ambiente” (RAVA), uma ação que se realiza no âmbito do projeto “Fortalecimento do Consórcio Iniciativa Amazônica para o Uso Sustentável de Recursos Naturais”, que foi aprovado pelo Fundo de Desenvolvimento Institucional do Banco Mundial, em agosto de 2007.

A pergunta-chave dos estudos propostos pela RAVA é de que forma as atividades florestal, agroflorestal e agrícola contribuem para o bem-estar das comunidades amazônicas e para a conservação ambiental. Para responder a essa questão, a RAVA se baseia em uma metodologia de pesquisa sistemática, interdisciplinar e em colaboração adaptada do PEN (sigla em inglês para “Rede de Meio-Ambiente e Pobreza”), um programa de escala global realizado pelo CIFOR (Centro Internacional de Pesquisa Florestal). De acordo com o projeto de pesquisa que vem sendo desenvolvido pelo PEN, as florestas e outros recursos naturais, são cruciais para a subsistência de milhões de pessoas pobres em todo o mundo. Segundo dados do Banco Mundial e da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) as florestas teriam papel fundamental para que se atinja a meta estabelecida nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio de reduzir à metade a pobreza até 2015.

Cada sítio de estudo da RAVA caracteriza-se por ser um território geográfico definido, equivalente a um ou mais municípios ou distritos, ou a uma bacia hidrográfica da Amazônia. Nesses territórios podem estar localizadas diversas comunidades que dependem diretamente da floresta e seus produtos, e de outros recursos naturais.


As equipes que participam da ação realizarão entre quatro a cinco visitas a cada território, num período de 12 meses, a fim de realizar entrevistas que servirão de base para os estudos sócio-econômicos. Serão aplicados questionários a uma amostra aleatória dos domicílios para examinar a situação dos grupos sociais (comunidades) e para conhecer as condições de vida das famílias residentes. Em cada localidade de estudo se formará um pequeno núcleo da RAVA, incluindo, por exemplo, um professor universitário, um estudante de pós-graduação, e um pesquisador ou técnico de instituição local, que aplicarão os instrumentos de pesquisa com o apoio de entrevistadores que atuam nas respectivas áreas de estudo.

Uma das áreas de estudo RAVA é o ecossistema de florestas inundáveis na Bacia de Ucayalli (Peru), onde habitam 220 comunidades indígenas, e com uma população aproximada de 50.000 habitantes. Esses povos possuem direitos sobre 40% da área florestal sob processos de extração (1.9 milhões de hectares), enquanto as concessionárias florestais alcançam 2.9 milhões de hectares (60%). Apesar deste enorme potencial, a falta de capacidades, não só econômica, mas também tecnológica, empresarial e organizacional impede estas comunidades de converter os recursos florestais em benefícios próprios. O Projeto Bosques Inundables, executado pelo Instituto de Investigaciones de la Amazonía Peruana (IIAP), com suporte da União Européia, desde 2006 tem como foco a melhoria das condições de vida das comunidades através do desenvolvimento de capacidades locais.

O quadro abaixo apresenta as instituições das equipes de estudo que participam da RAVA, e seus respectivos sítios de estudo.

O Workshop Metodológico da RAVA que aconteceu em julho deste ano, em Lima, Peru, foi a primeira oportunidade para reunir e integrar os pesquisadores interessados na implementação destes estudos em suas respectivas áreas geográficas de trabalho. O evento contou com a participação de mais de 20 pesquisadores de vários países, com formações e experiências diferenciadas, favorecendo a troca de conhecimentos, discussões temáticas e a possibilidade de intercâmbios.

Durante o evento, os participantes examinaram e ajustaram os principais instrumentos a serem utilizados durante a coleta de dados: os questionários anuais e trimestrais, tanto em nível de comunidade, como aqueles a serem aplicados aos domicílios selecionados, assim como definiram um roteiro para narrativas que serão integradas ao levantamento de dados quantitativos. Além disso, as equipes apresentaram os contextos sócio-ambientais de suas respectivas localidades de estudo, aprovaram os termos gerais dos acordos de cooperação que serão firmados entre a Iniciativa Amazônica e as instituições locais que implementarão os estudos, e apresentaram uma primeira versão de um cronograma de atividades e financeiro para a realização dos estudos.